segunda-feira, 31 de agosto de 2026

 De surpresa você chega, exatamente no momento mais inconveniente possível e imaginável do cenário caótico que chamo de vida. Estava tudo derramado, de ponta cabeça, invertido, quebrado em pedacinhos confusos e enigmáticos. Mas foi dessa forma que você me conheceu e foi dessa forma que eu te conheci. 

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2022 a ingenuidade de desproteger a terra desolada

completamente arrasada, sem cor
eu abri toda a dor em mim e confiei sem saber ingênua, eu permiti você conhecer as ruínas de mim eu fantasiei mil coisas sobre você mas não imaginava que todos elas virariam os fantasmas que me assombram

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

como eu abandonei algo tão valioso para quem eu sou? como eu pude calar a minha voz? deixar meus dedos definharem e enrijecerem? como fui capaz de arrancar minhas cordas vocais e enterrá-las no fundo daquele buraco negro? como pude cavar, cavar e cavar até destruir toda e qualquer raíz, base, aterramento que me sustentava? esse é o efeito do parasita. o pior parasita possível que contamina a alma e o espírito, faz casa na lógica da cabeça e dança no compasso do coração do hospedeiro. quando você está dançando rumo a sua cova, seus pés te encorajam a soterrar sua roupa, seus anéis, seu corpo, sua pele, seus poros, seu esqueleto, suas entranhas, tudo aquilo que um dia foi você se desfaz, liquifica, evapora - tudo que você foi um dia jaz aqui. decidi construir uma lápide, resgatar a mulher-esqueleto que eu matei de fome e a vesti com meu vestido favorito da ´época, meio emburacado pelas traças meio emburacado pelo coração que se partiu. nos despedimos, dessa vez olho no fundo do olho, e eu pedi perdão. ela finalmente aceitou ter partido, pois não queria ser enterrada como se fosse algo a se esconder, mas algo a se respeitar. agora sim, tudo que eu fui um dia e abandonei, jaz aqui,
LEAVE THIS VERSION YOU ONCE WAS AND NEVER MORE
NEVER MORE?
YES, POE, NEVER MORE.