Sinto as cores da rua, o cheiro que emana delas e percorre meus sentidos. Piso nos ladrilhos do chão, toco com os dedos as grades pelo caminho e absorvo tudo que é iluminado pelos raios de sol. Titubeio entre acender um cigarro ou respirar fundo a minha atmosfera, mas sempre escolho pelo cigarro e volto a me deslocar do ambiente no qual me encontro. Mas ainda sinto a vivacidade de tudo e sinto os sons da rua, dos carros sem direção e das pessoas em suas rotinas diárias: viram na próxima esquina, sobem uma ladeira, abrem um portão e sentam no sofá da sala. E o céu fazendo seu espetáculo ao vivo que ninguém liga, mas que eu observo, presencio e guardo comigo em algum fragmento de memória.
Quero saber o gosto das frutas que vejo crescerem no topo das árvores e das flores naquele canteiro bonito, ainda mais no final de uma tarde ensolarada e pôr do sol cor de pêssego. Respiro a fumaça do cigarro junto com a fumaça da cidade e deixo tudo me invadir. Eu sou assim: aberta, com poros, acessível a todas as sensações mais diversas que colorem meu caos e o levam para dançar.
Dança comigo?
(2016)
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