segunda-feira, 6 de julho de 2015


já me disseram que é um campo escuro e gélido
tons nulos e algum tipo de terrível mistério
é um lugar sem saída e uma única entrada

mas não vejo isso
olho em volta pra campos verdes esmeralda
quase como se fosse uma paisagem pintada com calda
filtro de mel

altas árvores brotando cerejeiras
um silêncio que canta no ritmo do oceano
eu já não o temo

sábado, 2 de maio de 2015

queria entrar em contato com o mundo
assim como as árvores e o vento
é um toque profundo
e lento

quarta-feira, 22 de abril de 2015

waking life

  • "On this bridge, Lorca warns: Life is not a dream. Beware, and beware, and beware. And so many think because then happened, now isn't. But didn't I mention? The ongoing WOW is happening, right now! We are all co-authors of this dancing exuberance, where even our inabilities are having a roast. We are the authors of ourselves, co-authoring a gigantic Dostoevsky novel starring clowns! This entire thing we're involved with, called the world, is an opportunity to exhibit how exciting alienation can be. Life is a matter of a miracle that is collected over time by moments flabbergasted to be in each others' presence. The world is an exam, to see if we can rise into the direct experiences. Our eyesight is here as a test, to see if we can see beyond it, matter is here as a test for our curiosity, doubt is here as an exam for our vitality. Thomas Mann wrote that he would rather participate in life than write a hundred stories. Giacometti was once run down by a car, and he recalled falling into a lucid faint, a sudden exhilaration, as he realized at last, something was happening to him. An assumption developed that you cannot understand life and live life simultaneously. I do not agree entirely, which is to say, I do not exactly disagree. I would say that life understood is life lived. But, the paradoxes bug me, and I can learn to love and make love to the paradoxes that bug me, and on really romantic evenings of self, I go salsa dancing with my confusion. Before you drift off, don't forget, which is to say remember, because remembering is so much more a psychotic activity than forgetting. Lorca, in that same poem said that the Iguana will bite those who do not dream, and as one realizes that one is a dream-figure in another person's dream - That is self-awareness!"

domingo, 12 de abril de 2015

"Beyond all the ideas of right or wrong there is a field. I will be meeting you there"

domingo, 5 de abril de 2015

Acho que encontrei um dos segredos da vida... Desses que a gente descobre quando traga um cigarro e fica um bom tempo olhando o céu:

Compreender e aceitar o fim das coisas. É esse o segredo: a vida vai nos mostrando uma variedade de fins e ao aceitá-los vai nos preparando a aceitar o último fim.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

convite

  Sinto as cores da rua, o cheiro que emana delas e percorre meus sentidos. Piso nos ladrilhos do chão, toco com os dedos as grades pelo caminho e absorvo tudo que é iluminado pelos raios de sol. Titubeio entre acender um cigarro ou respirar fundo a minha atmosfera, mas sempre escolho pelo cigarro e volto a me deslocar do ambiente no qual me encontro. Mas ainda sinto a vivacidade de tudo e sinto os sons da rua, dos carros sem direção e das pessoas em suas rotinas diárias: viram na próxima esquina, sobem uma ladeira, abrem um portão e sentam no sofá da sala. E o céu fazendo seu espetáculo ao vivo que ninguém liga, mas que eu observo, presencio e guardo comigo em algum fragmento de memória.

   Quero saber o gosto das frutas que vejo crescerem no topo das árvores e das flores naquele canteiro bonito, ainda mais no final de uma tarde ensolarada e pôr do sol cor de pêssego. Respiro a fumaça do cigarro junto com a fumaça da cidade e deixo tudo me invadir. Eu sou assim: aberta, com poros, acessível a todas as sensações mais diversas que colorem meu caos e o levam para dançar.

   Dança comigo?

(2016)

segunda-feira, 30 de março de 2015

pele encoberta
desperta
o desejo da nudez

pálida e colorida
cheia de pintas
imagino uma mordida

quinta-feira, 26 de março de 2015

sou passageira no ônibus.
sinto o passageiro ardor dos meus ralados no joelho, sinto o passageiro arrepio quando você me toca, vejo o passageiro vento pela copa das árvores, vejo o passageiro alaranjado da tarde
sou passageira na sua e na minha vida
então aonde vamos agora, companheiro?
fev 2016

sexta-feira, 13 de março de 2015

esperando a chuva passar
decidi que seria bom um lugar pra me esconder
me refugiar

tive medo da natureza
seu caos se despejando livremente pelos céus
chuva finda
que fica

quis me esconder
mas a água foi mais rápida e por inteiro me molhara
sem refúgio, comecei a tremer

chuva finda
na pele
afina

quis ter a voz do relâmpago
e ecoar pelo seu mundo


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

a água correndo do azul, correndo do céu
a água correndo no topo da Terra, no verde das copas
é chuva

a água atinge os prédios, percorrendo mistérios
a águá atinge seu couro cabeludo, e desliza
a água atinge suas orelhas, rosto, ombros pescoço
toda pele
é chuva

o tecido absorve a água, escorre pro chão
o gramado sente as gotículas e as raízes bebem
é chuva
2015

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

olho pra superfície da água
imagino um oceano

mas é só aproximar-me
que o oceano se desfaz
e vira poça d'água

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

fumaça, ?

a presença dele pode ser
fumaça
a nos surpreender

é fumaça porque se curva
de um lado pro outro
sem neura
desvia e
some

a presença dele pode ser
fumaça
evaporando por aí sem você saber

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

hoje eu não escrevo de alguém
para ele
para ela

hoje eu escrevo sobre mim

e como eu assusto as pessoas
ou espere, talvez, muito delas
o que eu esperava, logo no fim?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

eu preciso me lembrar disso:
tem muita gente no mundo

esse pequeno fato pode mudar
toda essa turbulência

tem muita gente no mundo
quem é você dentro dessa confusão?

silencia